sexta-feira, 9 de julho de 2010

Escrita Automatica n2

De tudo, tudo o amor é!
(Pinhal é uma água que sai na matina.)
Palavras do coração
Ó minha mãe
Sim beijo
E Estudar é bom porque no futuro ajudará
O meu pai.
O meu amor está a chegar... ai a gata
O meu amor existe
Ao nascer do sol.
Que beleza…
Mas que sou você é?
Estou satisfeito
O meu amor existe
(A vida da minha mãe no campo
Ser burrito mais que feio)
Estudar é um sonho
O nosso mundo é humano
Uma palavra dentro de ti significado diferente
Com as palavras exprime-se o sentimento
Força, força poesia!
E a tua mão tocou-me azul fiz-me beijo

sábado, 3 de julho de 2010

Oficina de Leitura 13 - Vela

VELA

Em redor da luz
A casa sai da sombra
Intensamente atenta
Levemente espantada

Em redor da luz
A casa se concentra
Numa espera densa
E quase silabada

Em redor da chama
Que a menor brisa doma
E que um suspiro apaga
A casa fica muda

Enquanto a noite antiga
Imensa e exterior
Tece seus prodígios
E ordem seus milénios
De espaço e de silêncio
De treva e de esplendor.

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Oficina de Leitura 11 - Saudade Pedra Espada

SAUDADE PEDRA E ESPADA

Escrevo saudade com o mesmo vento
Com que escrevo a palavra liberdade.
Que numa e noutra sangra o pensamento
Lá onde a liberdade é uma saudade.

Saudade que já foi fraqueza
Em força e arma transformada
Minha festa por dentro da tristeza
Minha saudade feita pedra e espada.

Minha saudade que não és passada.
Mas este tempo nunca navegado
De transformar saudade em liberdade
Lá onde a liberdade é uma saudade.

Manuel Alegre

terça-feira, 8 de junho de 2010

Oficina de Leitura 10 - As Palavras

AS PALAVRAS

São como um cristal,
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras,
Orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Brancos ou beijos,
As águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são a noite.
E são a noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem as recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Oficina de Leitura 9 - A Ideia

A IDEIA

Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe- e um alto monte
Aonde se abra à luz o nosso ninho.

Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, imenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte há luz, vida e carinho!

Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!

Doce e branco era o seio de Jesus…
Que importa? Havemos de passar, seguindo,
Se além do seio dele houver mais luz!

Antero de Quental (1842-1891)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Oficina de Leitura 8 - A Sombra Assustada

A SOMBRA ASSUSTADA

Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Oficina de Leitura 7 - o Meu Amor Existe

O meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

Jorge Palma