De tudo, tudo o amor é!
(Pinhal é uma água que sai na matina.)
Palavras do coração
Ó minha mãe
Sim beijo
E Estudar é bom porque no futuro ajudará
O meu pai.
O meu amor está a chegar... ai a gata
O meu amor existe
Ao nascer do sol.
Que beleza…
Mas que sou você é?
Estou satisfeito
O meu amor existe
(A vida da minha mãe no campo
Ser burrito mais que feio)
Estudar é um sonho
O nosso mundo é humano
Uma palavra dentro de ti significado diferente
Com as palavras exprime-se o sentimento
Força, força poesia!
E a tua mão tocou-me azul fiz-me beijo
sexta-feira, 9 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Oficina de Leitura 13 - Vela
VELA
Em redor da luz
A casa sai da sombra
Intensamente atenta
Levemente espantada
Em redor da luz
A casa se concentra
Numa espera densa
E quase silabada
Em redor da chama
Que a menor brisa doma
E que um suspiro apaga
A casa fica muda
Enquanto a noite antiga
Imensa e exterior
Tece seus prodígios
E ordem seus milénios
De espaço e de silêncio
De treva e de esplendor.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Em redor da luz
A casa sai da sombra
Intensamente atenta
Levemente espantada
Em redor da luz
A casa se concentra
Numa espera densa
E quase silabada
Em redor da chama
Que a menor brisa doma
E que um suspiro apaga
A casa fica muda
Enquanto a noite antiga
Imensa e exterior
Tece seus prodígios
E ordem seus milénios
De espaço e de silêncio
De treva e de esplendor.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Oficina de Leitura 11 - Saudade Pedra Espada
SAUDADE PEDRA E ESPADA
Escrevo saudade com o mesmo vento
Com que escrevo a palavra liberdade.
Que numa e noutra sangra o pensamento
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Saudade que já foi fraqueza
Em força e arma transformada
Minha festa por dentro da tristeza
Minha saudade feita pedra e espada.
Minha saudade que não és passada.
Mas este tempo nunca navegado
De transformar saudade em liberdade
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Manuel Alegre
Escrevo saudade com o mesmo vento
Com que escrevo a palavra liberdade.
Que numa e noutra sangra o pensamento
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Saudade que já foi fraqueza
Em força e arma transformada
Minha festa por dentro da tristeza
Minha saudade feita pedra e espada.
Minha saudade que não és passada.
Mas este tempo nunca navegado
De transformar saudade em liberdade
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Manuel Alegre
terça-feira, 8 de junho de 2010
Oficina de Leitura 10 - As Palavras
AS PALAVRAS
São como um cristal,
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras,
Orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Brancos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são a noite.
E são a noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem as recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
São como um cristal,
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras,
Orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Brancos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são a noite.
E são a noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem as recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Oficina de Leitura 9 - A Ideia
A IDEIA
Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe- e um alto monte
Aonde se abra à luz o nosso ninho.
Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, imenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte há luz, vida e carinho!
Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!
Doce e branco era o seio de Jesus…
Que importa? Havemos de passar, seguindo,
Se além do seio dele houver mais luz!
Antero de Quental (1842-1891)
Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe- e um alto monte
Aonde se abra à luz o nosso ninho.
Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, imenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte há luz, vida e carinho!
Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!
Doce e branco era o seio de Jesus…
Que importa? Havemos de passar, seguindo,
Se além do seio dele houver mais luz!
Antero de Quental (1842-1891)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Oficina de Leitura 8 - A Sombra Assustada
A SOMBRA ASSUSTADA
Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.
Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Oficina de Leitura 7 - o Meu Amor Existe
O meu Amor Existe
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Jorge Palma
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Jorge Palma
Subscrever:
Mensagens (Atom)