terça-feira, 25 de maio de 2010

Oficina de Leitura 8 - A Sombra Assustada

A SOMBRA ASSUSTADA

Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Oficina de Leitura 7 - o Meu Amor Existe

O meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

Jorge Palma

terça-feira, 11 de maio de 2010

Oficina de Leitura 6 - O Avarento

O avarento


Um homem muito rico, mas avarento, perdera a sua carteira cheia de dinheiro. Anunciou que daria cinco mil meticais a quem a encontrasse e lha entregasse. Dias depois, apareceu em casa do homem um camponês que lha entregou. Então, o avarento contou o dinheiro da carteira e disse:
- Muito obrigado. Pelo que vejo, já tirou os cinco mil meticais. Devia estar aqui vinte e cinco mil e só estão vinte mil.
O Camponês, que era honesto, ofendeu-se e jurou não ter tirado nem um metical da carteira. Como o avarento dizia não acreditar, o camponês exigiu que fosse apresentar a queixa ao juiz do tribunal da aldeia. Foram ter com o juiz.
Este viu logo que o avarento queria enganar o camponês e, por isso, disse:
-Um homem perdeu uma carteira com vinte e cinco mil meticais; um outro encontrou uma carteira com vinte mil. Assim, chegou a conclusão de que as carteiras não são as mesmas.
Depois, o juiz disse ao camponês:
-Leve a carteira que encontrou e guarde-a durante uns tempos ate ver se aparece alguém que tenha perdido só vinte mil. Se não aparecer ninguém, a carteira é sua.
E disse ao avarento:
-Ao senhor só quero dar-lhe um conselho: deve ter paciência e esperar até aparecer alguém que tenha encontrado uma carteira com vinte e cinco mil meticais.


Conto adaptado In ‘’Como é bom aprender 5ª Classe’’