De tudo, tudo o amor é!
(Pinhal é uma água que sai na matina.)
Palavras do coração
Ó minha mãe
Sim beijo
E Estudar é bom porque no futuro ajudará
O meu pai.
O meu amor está a chegar... ai a gata
O meu amor existe
Ao nascer do sol.
Que beleza…
Mas que sou você é?
Estou satisfeito
O meu amor existe
(A vida da minha mãe no campo
Ser burrito mais que feio)
Estudar é um sonho
O nosso mundo é humano
Uma palavra dentro de ti significado diferente
Com as palavras exprime-se o sentimento
Força, força poesia!
E a tua mão tocou-me azul fiz-me beijo
sexta-feira, 9 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
Oficina de Leitura 13 - Vela
VELA
Em redor da luz
A casa sai da sombra
Intensamente atenta
Levemente espantada
Em redor da luz
A casa se concentra
Numa espera densa
E quase silabada
Em redor da chama
Que a menor brisa doma
E que um suspiro apaga
A casa fica muda
Enquanto a noite antiga
Imensa e exterior
Tece seus prodígios
E ordem seus milénios
De espaço e de silêncio
De treva e de esplendor.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Em redor da luz
A casa sai da sombra
Intensamente atenta
Levemente espantada
Em redor da luz
A casa se concentra
Numa espera densa
E quase silabada
Em redor da chama
Que a menor brisa doma
E que um suspiro apaga
A casa fica muda
Enquanto a noite antiga
Imensa e exterior
Tece seus prodígios
E ordem seus milénios
De espaço e de silêncio
De treva e de esplendor.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Oficina de Leitura 11 - Saudade Pedra Espada
SAUDADE PEDRA E ESPADA
Escrevo saudade com o mesmo vento
Com que escrevo a palavra liberdade.
Que numa e noutra sangra o pensamento
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Saudade que já foi fraqueza
Em força e arma transformada
Minha festa por dentro da tristeza
Minha saudade feita pedra e espada.
Minha saudade que não és passada.
Mas este tempo nunca navegado
De transformar saudade em liberdade
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Manuel Alegre
Escrevo saudade com o mesmo vento
Com que escrevo a palavra liberdade.
Que numa e noutra sangra o pensamento
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Saudade que já foi fraqueza
Em força e arma transformada
Minha festa por dentro da tristeza
Minha saudade feita pedra e espada.
Minha saudade que não és passada.
Mas este tempo nunca navegado
De transformar saudade em liberdade
Lá onde a liberdade é uma saudade.
Manuel Alegre
terça-feira, 8 de junho de 2010
Oficina de Leitura 10 - As Palavras
AS PALAVRAS
São como um cristal,
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras,
Orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Brancos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são a noite.
E são a noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem as recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
São como um cristal,
As palavras.
Algumas, um punhal,
Um incêndio.
Outras,
Orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
Brancos ou beijos,
As águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
Leves.
Tecidas são a noite.
E são a noite.
E mesmo pálidas
Verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem as recolhe, assim,
Cruéis, desfeitas,
Nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Oficina de Leitura 9 - A Ideia
A IDEIA
Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe- e um alto monte
Aonde se abra à luz o nosso ninho.
Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, imenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte há luz, vida e carinho!
Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!
Doce e branco era o seio de Jesus…
Que importa? Havemos de passar, seguindo,
Se além do seio dele houver mais luz!
Antero de Quental (1842-1891)
Força é pois ir buscar outro caminho!
Lançar o arco de outra nova ponte
Por onde a alma passe- e um alto monte
Aonde se abra à luz o nosso ninho.
Se nos negam aqui o pão e o vinho,
Avante! é largo, imenso esse horizonte…
Não, não se fecha o mundo! e além, defronte,
E em toda a parte há luz, vida e carinho!
Avante! os mortos ficarão sepultos…
Mas os vivos que sigam, sacudindo
Como o pó da estrada os velhos cultos!
Doce e branco era o seio de Jesus…
Que importa? Havemos de passar, seguindo,
Se além do seio dele houver mais luz!
Antero de Quental (1842-1891)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Oficina de Leitura 8 - A Sombra Assustada
A SOMBRA ASSUSTADA
Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.
Como tu sabes, o Sol lança os seus raios de luz sobre os objectos e destes se forma a respectiva sombra, maior ou menor, consoante o ângulo de incidência dos raios solares. Isto é simples de entender, mas no mundo das estórias, acontecem as coisas mais espantosas e estranhas que podemos imaginar. Aconteceu que…
Uma sombra olhou-se, numa tarde quente de Verão, projectada numa rua. ”Como era grande!”Pensou, achou muita piada à forma como se contorcia sobre os carros estacionados, sentiu cócegas ao subir os degraus da grande escadaria da Praça e deleitou-se na parede da casa apalaçada, lugar central da cidade onde morava. Ali ficou olhando outras sombras que passavam. Sentia-se muito bem consigo próprio, mas um pouco fatigada. Fechou os olhos e dormiu.
Estás já a imaginar o que aconteceu, não estás? Pois bem, foi isso mesmo. Dormindo aos poucos, numa bela modorra de comprazimento, o tempo passou e o Sol foi-se a iluminar outras paragens. A sombra acordou e viu uma pálida imagem de si mesma, deu um grito e levantou-se, era uma ténue mancha moribunda, em desfalecimento aflita, melhor dizendo, assustada, melhor ainda, em pânico, sentindo-se a perder a existência. E o Sol partiu de todo
Passaram-se horas, tantas quantas a noite tem, e o astro chamado Rei acordou a manhã para mais um dia de luz e cor.
A sombra desta estória sentiu que os cinzentos do seu ser enegreciam e abriu os olhos, temerosa. Nada viu e o seu susto aumentou. Porém, quase sem querer, virou os olhos e descobriu-se no outro lado, em projecção revigorante. Oh! Que alegria! O seu susto terminou.
Não vou contar mais nada. Nem é preciso, pois não? É claro, tu sabes bem que esta sombra tontita sofreu por ignorância. Se ela fosse como tu, que procuras saber as causas dos fenómenos naturais, e que sabes, até, ver as horas pela sombra de um ponteiro de um relógio de Sol e tantas coisas mais...
Quanto a encontrares, explica-lhe a sua razão de existir. Vale?.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Oficina de Leitura 7 - o Meu Amor Existe
O meu Amor Existe
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Jorge Palma
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Jorge Palma
terça-feira, 11 de maio de 2010
Oficina de Leitura 6 - O Avarento
O avarento
Um homem muito rico, mas avarento, perdera a sua carteira cheia de dinheiro. Anunciou que daria cinco mil meticais a quem a encontrasse e lha entregasse. Dias depois, apareceu em casa do homem um camponês que lha entregou. Então, o avarento contou o dinheiro da carteira e disse:
- Muito obrigado. Pelo que vejo, já tirou os cinco mil meticais. Devia estar aqui vinte e cinco mil e só estão vinte mil.
O Camponês, que era honesto, ofendeu-se e jurou não ter tirado nem um metical da carteira. Como o avarento dizia não acreditar, o camponês exigiu que fosse apresentar a queixa ao juiz do tribunal da aldeia. Foram ter com o juiz.
Este viu logo que o avarento queria enganar o camponês e, por isso, disse:
-Um homem perdeu uma carteira com vinte e cinco mil meticais; um outro encontrou uma carteira com vinte mil. Assim, chegou a conclusão de que as carteiras não são as mesmas.
Depois, o juiz disse ao camponês:
-Leve a carteira que encontrou e guarde-a durante uns tempos ate ver se aparece alguém que tenha perdido só vinte mil. Se não aparecer ninguém, a carteira é sua.
E disse ao avarento:
-Ao senhor só quero dar-lhe um conselho: deve ter paciência e esperar até aparecer alguém que tenha encontrado uma carteira com vinte e cinco mil meticais.
Conto adaptado In ‘’Como é bom aprender 5ª Classe’’
Um homem muito rico, mas avarento, perdera a sua carteira cheia de dinheiro. Anunciou que daria cinco mil meticais a quem a encontrasse e lha entregasse. Dias depois, apareceu em casa do homem um camponês que lha entregou. Então, o avarento contou o dinheiro da carteira e disse:
- Muito obrigado. Pelo que vejo, já tirou os cinco mil meticais. Devia estar aqui vinte e cinco mil e só estão vinte mil.
O Camponês, que era honesto, ofendeu-se e jurou não ter tirado nem um metical da carteira. Como o avarento dizia não acreditar, o camponês exigiu que fosse apresentar a queixa ao juiz do tribunal da aldeia. Foram ter com o juiz.
Este viu logo que o avarento queria enganar o camponês e, por isso, disse:
-Um homem perdeu uma carteira com vinte e cinco mil meticais; um outro encontrou uma carteira com vinte mil. Assim, chegou a conclusão de que as carteiras não são as mesmas.
Depois, o juiz disse ao camponês:
-Leve a carteira que encontrou e guarde-a durante uns tempos ate ver se aparece alguém que tenha perdido só vinte mil. Se não aparecer ninguém, a carteira é sua.
E disse ao avarento:
-Ao senhor só quero dar-lhe um conselho: deve ter paciência e esperar até aparecer alguém que tenha encontrado uma carteira com vinte e cinco mil meticais.
Conto adaptado In ‘’Como é bom aprender 5ª Classe’’
terça-feira, 6 de abril de 2010
Oficina de Leitura 5 - Pepe
Pepe
11 de Agosto
Temos um cão em casa, vindo não se sabe donde. Apareceu assim, sem mais, como se andasse à procura de donos e finalmente os tivesse encontrado. Não tem maneira de vadio, é novinho e nota-se que foi bem ensinado lá onde viveu antes. Assomou à porta da cozinha quando almoçávamos, sem entrar, olhando apenas. Luís disse: “Está ali um cão” .Movia levemente a cabeça a um lado e a outro, como só sabem fazê-lo os cães: um verdadeiro tratado de sedução disfarçada de humildade. Não sou entendido em bichos caninos, sobretudo se pertencem a raças menos comuns, mas este tem todo o ar de ser cruzamento de cão-d’água e fox-terrier.
Se não aparecer por aí o legítimo dono (outra hipótese é que o animal tenha sido abandonado, como acontece tantas vezes neste tempo de férias) vamos ter de levá-lo ao veterinário para que o examine, vacine e classifique.
E há que dar-lhe um nome; já sugeri Pepe, que, como se sabe, é diminutivo espanhol de José… Amanhã será lavado e espulgado. Ladra baixinho, por enquanto, como quem não quer incomodar, mas parece ter ideias claras quanto às suas intenções; a minha casa é esta, daqui não saio.
José Saramago
In ‘’Cadernos de Lanzarote ,Diario 1 ’’
11 de Agosto
Temos um cão em casa, vindo não se sabe donde. Apareceu assim, sem mais, como se andasse à procura de donos e finalmente os tivesse encontrado. Não tem maneira de vadio, é novinho e nota-se que foi bem ensinado lá onde viveu antes. Assomou à porta da cozinha quando almoçávamos, sem entrar, olhando apenas. Luís disse: “Está ali um cão” .Movia levemente a cabeça a um lado e a outro, como só sabem fazê-lo os cães: um verdadeiro tratado de sedução disfarçada de humildade. Não sou entendido em bichos caninos, sobretudo se pertencem a raças menos comuns, mas este tem todo o ar de ser cruzamento de cão-d’água e fox-terrier.
Se não aparecer por aí o legítimo dono (outra hipótese é que o animal tenha sido abandonado, como acontece tantas vezes neste tempo de férias) vamos ter de levá-lo ao veterinário para que o examine, vacine e classifique.
E há que dar-lhe um nome; já sugeri Pepe, que, como se sabe, é diminutivo espanhol de José… Amanhã será lavado e espulgado. Ladra baixinho, por enquanto, como quem não quer incomodar, mas parece ter ideias claras quanto às suas intenções; a minha casa é esta, daqui não saio.
José Saramago
In ‘’Cadernos de Lanzarote ,Diario 1 ’’
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Oficina de Leitura 4 - Sonho da Mae Negra
Sonho da Mãe Negra
Mãe negra
Embala o seu filho
E na sua cabeça negra
Coberta de cabelos negros
Ela guarda sonhos maravilhosos.
Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Que o milho já a terra secou,
Que o amendoim ontem acabou.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho irá à escola,
À escola onde estudam os homens.
Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Os seus irmãos construindo vilas e cidades,
Cimentando-as com o seu sangue.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho correria na estrada,
Na estrada onde passam os homens.
Mãe negra
Embala o seu filho
E, escutando
A voz de quem vem de longe
Trazida pelos ventos,
Ela sonha mundos maravilhosos
Mundos maravilhosos
Onde o seu filho poderá viver.
Marcelino dos Santos
In ‘’Canto do Amor Natural’’
Mãe negra
Embala o seu filho
E na sua cabeça negra
Coberta de cabelos negros
Ela guarda sonhos maravilhosos.
Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Que o milho já a terra secou,
Que o amendoim ontem acabou.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho irá à escola,
À escola onde estudam os homens.
Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Os seus irmãos construindo vilas e cidades,
Cimentando-as com o seu sangue.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho correria na estrada,
Na estrada onde passam os homens.
Mãe negra
Embala o seu filho
E, escutando
A voz de quem vem de longe
Trazida pelos ventos,
Ela sonha mundos maravilhosos
Mundos maravilhosos
Onde o seu filho poderá viver.
Marcelino dos Santos
In ‘’Canto do Amor Natural’’
terça-feira, 16 de março de 2010
Oficina de Leitura 3 - As Capulanas Falam
30/03/2010
‘’As Capulanas Falam’’
-Bom dia, “Deixa falar”. Conta-me a razão do teu nome! - disse a capulana “Xivite xa Valoi”,do fundo de um baú.
De cor de rosa carregado e barras brancas, “Deixa falar” respondeu:
-Não sei dizer…Já esqueci…Já tenho muitos anos.
“Xivite xa Valoi”, de cor bastante escura, parece um repórter a entrevistar para um jornal e pergunta a outra sua vizinha:
-“Xirombana”que idade tens? O teu fundo azul e o conjunto dos teus desenhos fazem-te uma das mais lindas capulanas.
-Tenho mais de 30 anos. Fui feita e vendida nos anos 50. E tu, por que é que te chamas “Rancor de Feiticeiros”?
-Por minha vida! Não devias perguntar-me tal coisa! Mas aí vai: As mulheres jovens não gostaram de mim e rejeitaram-me. Por isso chamaram-me assim.
Mas a conversa generalizou-se. E, do fundo escuro da arca, sobem outras vozes:
-Eu sou a “Beira-mar”, em honra deste clube. Nasci aquando da inauguração do seu campo de futebol.
-E a mim, chamam-me “Pataria”, em honra do recomeço do funcionamento das padarias em Angoche, em 1960.
-Filhas - concluiu a capulana mais antiga- nós somos uma bela recordação para a nossa dona. Vamos cantar para ela:
Seremos uma herança
Ou prenda de casamento?
P’ra quem nos guardas senhora,
Com carinho e sentimento?
Anónimo Moçambicano
In ‘’Como é bom Aprender, Português 5ª Classe’’
‘’As Capulanas Falam’’
-Bom dia, “Deixa falar”. Conta-me a razão do teu nome! - disse a capulana “Xivite xa Valoi”,do fundo de um baú.
De cor de rosa carregado e barras brancas, “Deixa falar” respondeu:
-Não sei dizer…Já esqueci…Já tenho muitos anos.
“Xivite xa Valoi”, de cor bastante escura, parece um repórter a entrevistar para um jornal e pergunta a outra sua vizinha:
-“Xirombana”que idade tens? O teu fundo azul e o conjunto dos teus desenhos fazem-te uma das mais lindas capulanas.
-Tenho mais de 30 anos. Fui feita e vendida nos anos 50. E tu, por que é que te chamas “Rancor de Feiticeiros”?
-Por minha vida! Não devias perguntar-me tal coisa! Mas aí vai: As mulheres jovens não gostaram de mim e rejeitaram-me. Por isso chamaram-me assim.
Mas a conversa generalizou-se. E, do fundo escuro da arca, sobem outras vozes:
-Eu sou a “Beira-mar”, em honra deste clube. Nasci aquando da inauguração do seu campo de futebol.
-E a mim, chamam-me “Pataria”, em honra do recomeço do funcionamento das padarias em Angoche, em 1960.
-Filhas - concluiu a capulana mais antiga- nós somos uma bela recordação para a nossa dona. Vamos cantar para ela:
Seremos uma herança
Ou prenda de casamento?
P’ra quem nos guardas senhora,
Com carinho e sentimento?
Anónimo Moçambicano
In ‘’Como é bom Aprender, Português 5ª Classe’’
terça-feira, 9 de março de 2010
Oficina de Leitura 2 - A Minha Mae
A Minha Mãe
Mulher Negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, penso em ti…
*
Ó Dâman, ó minha mãe, tu que
me trouxestes às costas, tu que me
deste de mamar, tu que guiaste os
meus primeiros passos, tu que foste
a primeira a abrir-me os olhos para
os grandes prodígios da Terra,
penso em ti…
*
Mulher dos campos, mulher dos
rios, mulher do grande rio, ó tu,
Minha mãe, penso em ti…
*
Ó tu, Dâman, ó minha mãe, tu
Que enxugavas as minhas lágrimas,
Tu me reconfortavas o coração,
Tu que, pacientemente, suportavas
Todos os meus caprichos, como eu
Gostaria de estar ainda junto de ti,
De ser criança ao pé de ti!
*
Mulher simples, mulher da re-
signação, ó tu, minha mãe, penso
em ti…
*
Ó Dâman, Dâman da grande fa-
mília dos ferreiros, o meu pensa-
mento volta-se continuamente para
ti, e o teu acompanha-me a cada
passo, ó Dâman, minha mãe, como
gostaria de estar ainda envolto no
teu calor, de ser criança ao pé
de ti…
*
Mulher negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, obrigado; obri-
gado por tudo aquilo que fizeste
por mim, pelo teu filho, tão longe,
tão perto de ti!
Mulher Negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, penso em ti…
*
Ó Dâman, ó minha mãe, tu que
me trouxestes às costas, tu que me
deste de mamar, tu que guiaste os
meus primeiros passos, tu que foste
a primeira a abrir-me os olhos para
os grandes prodígios da Terra,
penso em ti…
*
Mulher dos campos, mulher dos
rios, mulher do grande rio, ó tu,
Minha mãe, penso em ti…
*
Ó tu, Dâman, ó minha mãe, tu
Que enxugavas as minhas lágrimas,
Tu me reconfortavas o coração,
Tu que, pacientemente, suportavas
Todos os meus caprichos, como eu
Gostaria de estar ainda junto de ti,
De ser criança ao pé de ti!
*
Mulher simples, mulher da re-
signação, ó tu, minha mãe, penso
em ti…
*
Ó Dâman, Dâman da grande fa-
mília dos ferreiros, o meu pensa-
mento volta-se continuamente para
ti, e o teu acompanha-me a cada
passo, ó Dâman, minha mãe, como
gostaria de estar ainda envolto no
teu calor, de ser criança ao pé
de ti…
*
Mulher negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, obrigado; obri-
gado por tudo aquilo que fizeste
por mim, pelo teu filho, tão longe,
tão perto de ti!
terça-feira, 2 de março de 2010
Oficina de Leitura 1 - O Mar do Norte
2 de Março 2010
O mar do Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha, e as espumas varriam os rochedos escuros. Havia nesse começo da tarde um vaivém incessante de aves marítimas, as águas engrossavam devagar, as nuvens empurradas pelo vento sul acorriam e Hans viu que se estava formando a tempestade. Mas ele não temia a tempestade e, com a roupa inchada de vento, caminhou até ao extremo do promontório. O voo das gaivotas era cada vez mais inquieto e apertado, o ímpeto e o tumulto cada vez mais violentos e os longínquos espaços escureciam. A tempestade, como uma boa orquestra, afinava os seus instrumentos.
Hans concentrava o seu espírito para a exaltação crescente do grande cântico marítimo. Tudo nele estava atento como quem escutava um cântico numa igreja austera, solene, apaixonada e fria.
Adaptado de “Saga” por Sophia de Mello Breyner Andresen
O mar do Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha, e as espumas varriam os rochedos escuros. Havia nesse começo da tarde um vaivém incessante de aves marítimas, as águas engrossavam devagar, as nuvens empurradas pelo vento sul acorriam e Hans viu que se estava formando a tempestade. Mas ele não temia a tempestade e, com a roupa inchada de vento, caminhou até ao extremo do promontório. O voo das gaivotas era cada vez mais inquieto e apertado, o ímpeto e o tumulto cada vez mais violentos e os longínquos espaços escureciam. A tempestade, como uma boa orquestra, afinava os seus instrumentos.
Hans concentrava o seu espírito para a exaltação crescente do grande cântico marítimo. Tudo nele estava atento como quem escutava um cântico numa igreja austera, solene, apaixonada e fria.
Adaptado de “Saga” por Sophia de Mello Breyner Andresen
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