30/03/2010
‘’As Capulanas Falam’’
-Bom dia, “Deixa falar”. Conta-me a razão do teu nome! - disse a capulana “Xivite xa Valoi”,do fundo de um baú.
De cor de rosa carregado e barras brancas, “Deixa falar” respondeu:
-Não sei dizer…Já esqueci…Já tenho muitos anos.
“Xivite xa Valoi”, de cor bastante escura, parece um repórter a entrevistar para um jornal e pergunta a outra sua vizinha:
-“Xirombana”que idade tens? O teu fundo azul e o conjunto dos teus desenhos fazem-te uma das mais lindas capulanas.
-Tenho mais de 30 anos. Fui feita e vendida nos anos 50. E tu, por que é que te chamas “Rancor de Feiticeiros”?
-Por minha vida! Não devias perguntar-me tal coisa! Mas aí vai: As mulheres jovens não gostaram de mim e rejeitaram-me. Por isso chamaram-me assim.
Mas a conversa generalizou-se. E, do fundo escuro da arca, sobem outras vozes:
-Eu sou a “Beira-mar”, em honra deste clube. Nasci aquando da inauguração do seu campo de futebol.
-E a mim, chamam-me “Pataria”, em honra do recomeço do funcionamento das padarias em Angoche, em 1960.
-Filhas - concluiu a capulana mais antiga- nós somos uma bela recordação para a nossa dona. Vamos cantar para ela:
Seremos uma herança
Ou prenda de casamento?
P’ra quem nos guardas senhora,
Com carinho e sentimento?
Anónimo Moçambicano
In ‘’Como é bom Aprender, Português 5ª Classe’’
terça-feira, 16 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Oficina de Leitura 2 - A Minha Mae
A Minha Mãe
Mulher Negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, penso em ti…
*
Ó Dâman, ó minha mãe, tu que
me trouxestes às costas, tu que me
deste de mamar, tu que guiaste os
meus primeiros passos, tu que foste
a primeira a abrir-me os olhos para
os grandes prodígios da Terra,
penso em ti…
*
Mulher dos campos, mulher dos
rios, mulher do grande rio, ó tu,
Minha mãe, penso em ti…
*
Ó tu, Dâman, ó minha mãe, tu
Que enxugavas as minhas lágrimas,
Tu me reconfortavas o coração,
Tu que, pacientemente, suportavas
Todos os meus caprichos, como eu
Gostaria de estar ainda junto de ti,
De ser criança ao pé de ti!
*
Mulher simples, mulher da re-
signação, ó tu, minha mãe, penso
em ti…
*
Ó Dâman, Dâman da grande fa-
mília dos ferreiros, o meu pensa-
mento volta-se continuamente para
ti, e o teu acompanha-me a cada
passo, ó Dâman, minha mãe, como
gostaria de estar ainda envolto no
teu calor, de ser criança ao pé
de ti…
*
Mulher negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, obrigado; obri-
gado por tudo aquilo que fizeste
por mim, pelo teu filho, tão longe,
tão perto de ti!
Mulher Negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, penso em ti…
*
Ó Dâman, ó minha mãe, tu que
me trouxestes às costas, tu que me
deste de mamar, tu que guiaste os
meus primeiros passos, tu que foste
a primeira a abrir-me os olhos para
os grandes prodígios da Terra,
penso em ti…
*
Mulher dos campos, mulher dos
rios, mulher do grande rio, ó tu,
Minha mãe, penso em ti…
*
Ó tu, Dâman, ó minha mãe, tu
Que enxugavas as minhas lágrimas,
Tu me reconfortavas o coração,
Tu que, pacientemente, suportavas
Todos os meus caprichos, como eu
Gostaria de estar ainda junto de ti,
De ser criança ao pé de ti!
*
Mulher simples, mulher da re-
signação, ó tu, minha mãe, penso
em ti…
*
Ó Dâman, Dâman da grande fa-
mília dos ferreiros, o meu pensa-
mento volta-se continuamente para
ti, e o teu acompanha-me a cada
passo, ó Dâman, minha mãe, como
gostaria de estar ainda envolto no
teu calor, de ser criança ao pé
de ti…
*
Mulher negra, mulher africana,
Ó tu, minha mãe, obrigado; obri-
gado por tudo aquilo que fizeste
por mim, pelo teu filho, tão longe,
tão perto de ti!
terça-feira, 2 de março de 2010
Oficina de Leitura 1 - O Mar do Norte
2 de Março 2010
O mar do Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha, e as espumas varriam os rochedos escuros. Havia nesse começo da tarde um vaivém incessante de aves marítimas, as águas engrossavam devagar, as nuvens empurradas pelo vento sul acorriam e Hans viu que se estava formando a tempestade. Mas ele não temia a tempestade e, com a roupa inchada de vento, caminhou até ao extremo do promontório. O voo das gaivotas era cada vez mais inquieto e apertado, o ímpeto e o tumulto cada vez mais violentos e os longínquos espaços escureciam. A tempestade, como uma boa orquestra, afinava os seus instrumentos.
Hans concentrava o seu espírito para a exaltação crescente do grande cântico marítimo. Tudo nele estava atento como quem escutava um cântico numa igreja austera, solene, apaixonada e fria.
Adaptado de “Saga” por Sophia de Mello Breyner Andresen
O mar do Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha, e as espumas varriam os rochedos escuros. Havia nesse começo da tarde um vaivém incessante de aves marítimas, as águas engrossavam devagar, as nuvens empurradas pelo vento sul acorriam e Hans viu que se estava formando a tempestade. Mas ele não temia a tempestade e, com a roupa inchada de vento, caminhou até ao extremo do promontório. O voo das gaivotas era cada vez mais inquieto e apertado, o ímpeto e o tumulto cada vez mais violentos e os longínquos espaços escureciam. A tempestade, como uma boa orquestra, afinava os seus instrumentos.
Hans concentrava o seu espírito para a exaltação crescente do grande cântico marítimo. Tudo nele estava atento como quem escutava um cântico numa igreja austera, solene, apaixonada e fria.
Adaptado de “Saga” por Sophia de Mello Breyner Andresen
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